Eleições, Guerra e Juros: Como Investir no 2º Semestre de 2026?

Descubra como investir no 2 semestre com segurança. Veja análises sobre juros, eleições e oportunidades atuais.

Selic em 14,25%. Ibovespa recuando 14% desde as máximas. Dólar na faixa dos R$ 5,15. E, no fundo do noticiário, duas variáveis que prometem dominar a conversa nos próximos meses: a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, e a corrida eleitoral que se desenha para outubro.

Se você é investidor, é normal sentir vontade de travar tudo e esperar o cenário se acalmar. Mas será que essa é realmente a melhor decisão?

Para entender como investir no 2º Semestre de 2026, conversamos com Hélio Ranieri, CEO da Sacre Investimentos, e, neste artigo, trazemos os principais pontos dessa conversa para te ajudar a organizar as ideias antes de tomar qualquer decisão.

Se preferir, o conteúdo completo está no vídeo abaixo. Bons estudos!

Como Investir no 2º Semestre

Para abrir a conversa, o jornalista e analista de investimentos CNPI-T, Angelo Miloch, que é host do Ouviu, Investiu!, resumiu o retrato do mercado no fim de junho de 2026 e lançou a pergunta que guiou todo o episódio:

Estamos com Selic a 14,25%, Tesouro IPCA+ pagando 8% ao ano, dólar a R$ 5,15 e Ibovespa recuando 14% desde as máximas. Como você resume esse cenário?

Hélio Ranieri não hesitou: para ele, esse cenário lembra uma feira com tudo em promoção, quase uma “Black Friday” de ativos.

Segundo ele, até fevereiro e março de 2026 o mercado vinha de uma estabilização gradual, com a bolsa em alta e expectativa de corte de juros mais agressivo. O quadro mudou quando a guerra no Irã ameaçou o Estreito de Ormuz, elevando o petróleo a mais de US$ 120 o barril e forçando uma reprecificação geral do risco.

O resultado prático dessa reviravolta:

  • Ibovespa recuando dos quase 200 mil pontos para a faixa dos 170 mil (oito semanas seguidas de queda antes de estabilizar)
  • Dólar saindo da região próxima a R$ 6 (final de 2025) para a faixa de R$ 5,15 a R$ 5,20
  • Selic ainda elevada, mas em processo de corte gradual

Para Hélio, essa correção não é motivo de alarme. É, na prática, uma segunda chance para quem ficou de fora da valorização anterior da bolsa.

Eleições No Brasil ou Guerra no Irã: o que preocupa mais?

No curtíssimo prazo, a guerra é mais sensível ao investidor, já a eleição é o que vai definir o médio e o longo prazo, explicou o CEO da Sacre.

O raciocínio é simples: a guerra é um problema externo, fora do controle do Brasil. Uma escalada no conflito eleva o petróleo, acelera a inflação global e atrasa o corte de juros, inclusive o nosso. É volatilidade importada.

A eleição, por outro lado, é uma decisão interna. E, segundo Hélio, o mercado não está necessariamente escolhendo um candidato, pelo contrário, está observando quem vai conseguir, de fato, colocar disciplina fiscal em prática a partir de 2027. 

“O que for plantado agora no segundo semestre vai ter um efeito muito maior nos próximos anos do que o resultado da eleição em si.”

Oportunidade na bolsa brasileira: o Ibovespa está barato?

Na visão de Hélio, sim — e ele foi categórico: “Já tá barato, independente de qualquer coisa.”

Porém, é importante destacar alguns pontos que sustentam essa leitura:

  • O Ibovespa caiu oito semanas consecutivas antes de estabilizar na faixa de 170 mil pontos
  • Boa parte da correção foi puxada pela queda do petróleo e, por consequência, da Petrobras
  • Empresas como BTG Pactual e Itaú negociam com desconto relevante mesmo reportando resultados consistentes ciclo após ciclo
  • Small caps (empresas menores, mais sensíveis a juros altos) tendem a ter o maior potencial de valorização caso o país avance em um ajuste fiscal mais estrutural

Mas, atenção: Hélio não está sugerindo vender patrimônio para comprar ações. A recomendação é de rebalanceamento gradual, ou seja, revisar se sua alocação em renda variável ainda faz sentido para o seu perfil e, se fizer, considerar aumentar essa exposição com calma.

Tesouro IPCA+8: esse título vale a pena?

Esse foi um dos trechos mais técnicos da conversa. O IPCA+8 tem sido destaque no marketing de bancos e corretoras, mas Hélio faz um alerta importante:

“É bonito para o marketing, mas para o bolso do investidor não é tão bom.”

O motivo é matemático. O IPCA+8 aparece nos títulos de curto prazo, com vencimento por volta de 2032/2033. Somando a inflação projetada (cerca de 5%) com o juro real de 8%, chega-se a algo próximo de 13%, abaixo da Selic atual, de 14,25%. 

Na prática, esse título já começa perdendo para o CDI, e levaria cerca de três anos para essa conta empatar, segundo as projeções do Boletim Focus citadas no episódio.

Já os títulos mais longos, com vencimento em 2040 ou 2060, pagam uma taxa nominal menor (na faixa de IPCA+6,5%), mas com um efeito interessante: se a inflação e a Selic caírem no futuro, esse juro real mais alto se traduz em ganho via marcação a mercado.

Há também um ponto de gestão de risco relevante: pagar um juro real de 8% por décadas seria insustentável para as contas públicas. O que existe hoje é uma taxa elevada de curto prazo, não um patamar permanente.

Renda Fixa ou Renda Variável: onde investir em 2026?

A resposta de Hélio não é sobre escolher um lado, mas sobre diversificação com intenção.

Renda fixa continua com espaço relevante, especialmente em pré-fixados enquanto as taxas seguem elevadas, e em títulos indexados à inflação para o longo prazo, como proteção estrutural do patrimônio.

Renda variável aparece como a principal oportunidade do momento, puxada pelo desconto acumulado no Ibovespa e em ações de empresas que já atravessaram trocas de governo, pandemia e ciclos de juros altíssimos sem deixar de crescer.

O ponto central da fala de Hélio resume bem o dilema do investidor hoje:

“É confortável ficar sentado em cima do CDI, só que quem fica confortável não pega oportunidade.”

A diferença entre um pré-fixado pagando 16% e a Selic a 14,25% não é permanente. Conforme os juros caem, essa vantagem desaparece, e quem não se posicionou enquanto ela existia paga, silenciosamente, o preço de ter ficado de fora.

Dolarizar patrimônio faz sentido no 2º semestre de 2026?

Hélio descreve um comportamento comum entre investidores: é psicologicamente mais fácil comprar dólar quando ele está a R$ 6 do que quando está a R$ 4. 

É o efeito manada, o famoso FOMO (medo de ficar de fora) tomando decisões no lugar da estratégia. “Geralmente o cliente manda dinheiro para fora no pior momento.”

Com o dólar na faixa de R$ 5,15 a R$ 5,20 (bem abaixo dos R$ 6 vistos recentemente), Hélio defende que uma parcela do patrimônio deveria estar dolarizada, independentemente do calendário eleitoral. 

Não como aposta contra o Brasil, mas como diversificação geográfica e acesso a oportunidades que não existem no mercado local, como o recente IPO da SpaceX, citado no episódio.

O argumento de risco é direto: hoje é estatisticamente mais fácil o dólar subir para R$ 6 com uma eleição pela frente do que recuar para R$ 4. Bastaria uma notícia negativa para reacender a volatilidade cambial.

Por que contratar assessoria para Investir no 2º Semestre?

Momentos como o atual — com juros altos, eleição no radar e memória recente de conflito geopolítico — não sofrem de falta de opção, mas do contrário: excesso de informação e de escolhas, o que pode ser tão paralisante quanto a escassez.

Hélio descreveu a estrutura por trás de cada recomendação levada ao investidor. Dentro da Sacre, existe uma equipe dedicada a estudar diferentes classes de produtos, um comitê de validação que filtra o que realmente faz sentido, e o assessor na ponta, que conhece o perfil, os objetivos e a tolerância a risco de cada cliente antes de sugerir qualquer movimento.

“O cliente nosso geralmente não é um investidor profissional — é um médico, um empresário, um advogado, um engenheiro. Ele está cuidando da vida dele. Conta com a gente.”

É esse o papel do assessor de investimentos: não prever o resultado da eleição ou o próximo capítulo da guerra no Oriente Médio, mas traduzir esse cenário complexo em decisões coerentes com o perfil, o horizonte de tempo e a tolerância a risco de cada investidor.

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Conclusão

O segundo semestre de 2026 chega com um coquetel de variáveis: Selic ainda em dois dígitos, inflação resistindo acima da meta, eleição se desenhando no horizonte e a memória recente de uma guerra que colocou o petróleo em US$ 120. É natural sentir vontade de esperar tudo se acalmar antes de agir.

Mas, como resume Hélio Ranieri, não fazer nada também é uma decisão e, muitas vezes, é a decisão mais cara de todas. 

O CDI elevado cria uma sensação confortável de segurança, enquanto oportunidades em renda fixa pré-fixada, ações com desconto e dolarização de patrimônio perdem força conforme os juros caem.

O convite não é para agir por impulso ou apostar tudo em um único cenário eleitoral. É para revisar seu portfólio com calma, rebalancear onde faz sentido e não deixar que o medo — ou o excesso de conforto — tome decisões no seu lugar.

Agora que você já entende o cenário, e tem uma ideia de como investir no 2º semestre, que tal conversar com um assessor sobre como isso se aplica à sua carteira? Preencha o formulário abaixo e nosso time de relacionamento entrará em contato com você. Bons investimentos!

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Foto de Angelo Miloch

Angelo Miloch

Jornalista com mais de 10 anos de experiência em produção de conteúdo. Analista de Comunicação na Sacre Investimentos.

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