O que são Fundos Cetipados

Fundos Cetipados: renda mensal, isenção de IR e sem a volatilidade da Bolsa. Veja como funcionam e como investir

Fundos Cetipados são hoje uma das formas mais procuradas por investidores que querem montar uma estratégia de renda mensal sem encarar a volatilidade do dia a dia da Bolsa de Valores.

O nome pode soar estranho à primeira vista, e não é à toa que gera tanta dúvida. Mas o conceito por trás dele é mais simples do que parece.

Neste artigo, você vai entender o que são os Fundos Cetipados, por que eles surgiram, como funcionam na prática e o que considerar antes de colocar uma parte da sua carteira nesse tipo de ativo.

As explicações contam com a colaboração de Gustavo De Gasperi, Head da Mesa de Renda Variável da Sacre Investimentos, que acompanha de perto a oferta desses fundos no dia a dia da assessoria.

Se preferir, assista ao conteúdo completo no episódio “O que são Fundos Cetipados: Renda Mensal sem a volatilidade da Bolsa” do Ouviu, Investiu! – o podcast da Sacre no vídeo abaixo. Bons estudos!

O que são Fundos Cetipados

Fundos Cetipados são fundos de investimento. Normalmente, são fundos imobiliários (FIIs), fundos de agronegócio (Fiagro) ou fundos de infraestrutura.

Mas, em vez de serem negociados na Bolsa (B3), eles são registrados na CETIP, o ambiente de registro e custódia de ativos que hoje também faz parte da B3 (a bolsa de valores do Brasil).

Segundo Gustavo De Gasperi, essa é uma classe de ativos relativamente nova. A primeira emissão de um fundo cetipado distribuída pelo BTG Pactual foi em 2022, uma novidade se comparada à maioria dos ativos disponíveis no mercado.

A origem desses fundos está ligada a um momento bem específico.

Durante a pandemia, investidores que tinham fundos imobiliários listados na B3 viram o preço das cotas cair de forma abrupta. Em alguns casos, a cota caiu de R$ 100 para R$ 60, mesmo sem uma mudança real no valor dos imóveis por trás desses fundos.

Essa experiência deixou uma marca. Então, nos anos seguintes, novas ofertas de fiis listados passaram a ter baixa adesão, porque parte dos investidores ficou reticente com a volatilidade desse tipo de ativo na Bolsa.

Foi nesse contexto que o mercado encontrou uma alternativa: em vez de listar o fundo na B3, registrá-lo na CETIP.

Assim nasceram os Fundos Cetipados. O nome vem exatamente desse detalhe de registro, e não de alguma característica especial do produto em si.

Por que o termo “Fundos Cetipados” confunde tanto os investidores?

Grande parte da confusão vem do próprio nome. CETIP é a sigla de Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos: historicamente, o ambiente onde ficam registrados e custodiados títulos de renda fixa, como CRI, CRA e debêntures.

Os Fundos Cetipados também são registrados nesse ambiente, em vez de na Bolsa. Por isso herdaram o nome, o que leva muita gente a supor, erradamente, que são produtos de renda fixa tradicional ou que têm alguma relação direta com títulos de crédito.

Na prática, um Fundo Cetipado pode ser um espelho quase idêntico de um fundo imobiliário, de agronegócio ou de infraestrutura já listado na Bolsa. O que muda é só o ambiente de negociação.

A CETIP faz parte da B3? Entenda a diferença.

Sim, a CETIP faz parte da B3 desde 2017.

Antes disso, a CETIP era uma instituição independente, uma das maiores centrais de custódia de títulos de renda fixa da América Latina. Em 2017, ela passou a integrar a então B3, formada pela fusão entre a Bovespa, mercado de ações, e a BM&F, mercado futuro.

Hoje, CETIP e B3 são a mesma empresa, mas seguem representando dois ambientes distintos dentro dela. De um lado está a Bolsa propriamente dita, onde são negociados ações e fundos listados. 

Do outro está o mercado de balcão, a própria CETIP, onde ficam registrados os fundos cetipados e os títulos de renda fixa.

Como saber se um fundo é Cetipado?

Diferente de uma ação ou de um fundo imobiliário listado, você não encontra um Fundo Cetipado navegando livremente pelo aplicativo do banco ou pelo home broker.

Segundo Gustavo De Gasperi, o investidor só tem acesso a essa oferta por meio do assessor de investimentos. Não é possível simplesmente pesquisar o ticker e comprar diretamente.

Dentro do aplicativo, o fundo cetipado costuma aparecer na classe “fundos de investimento”, e não em “renda variável” nem em “renda fixa”.

Um exemplo citado por Gustavo é o BTLC (BTG Pactual Log CP), um fundo cetipado de galpões logísticos alugados majoritariamente para a Amazon. Guardadas as proporções, é um espelho do BTLG11, fundo imobiliário logístico tradicional do BTG listado na Bolsa.

Vantagem de investir em um fundo cetipado

A principal vantagem prática está na frequência e na natureza da renda.

Títulos de renda fixa tradicionais, como CDBs, CRIs, CRAs e debêntures, costumam pagar juros semestral ou anualmente. Isso dificulta montar uma estratégia de renda mensal só com esse tipo de papel.

Os Fundos Cetipados, por sua vez, seguem a lógica dos fundos imobiliários e costumam distribuir rendimentos todo mês.

Além disso, fundos cetipados de perfil imobiliário têm a mesma isenção de Imposto de Renda sobre os dividendos que os fundos imobiliários listados na Bolsa já têm para pessoa física. 

Inclusive, os fundos cetipados de infraestrutura vão além: chegam a ser isentos tanto na distribuição de renda quanto no ganho de capital.

Isso não significa, porém, que Fundos Cetipados sejam substitutos diretos do Tesouro Direto ou de CDBs.

São produtos de perfil de risco mais elevado, com menos garantias e liquidez mais restrita do que esses papéis. Por isso, pedem orientação de um assessor antes de entrarem na carteira.

Como a Sacre estrutura carteiras com fundos cetipados?

Hoje, a Sacre trabalha com mais de 20 Fundos Cetipados diferentes, distribuídos pela plataforma do BTG Pactual. Parte deles é gerida pela própria gestora do BTG, parte por gestoras parceiras.

Para efeito de composição de carteira, a Sacre classifica cada fundo de acordo com a natureza da renda que ele paga, e não apenas pelo nome.

Fundos cetipados que investem em títulos de crédito, entram como renda fixa: pós-fixados, quando a renda está atrelada ao CDI, ou como inflação, quando está atrelada ao IPCA.

Já fundos como o BTLC, cuja renda vem de aluguel de imóveis físicos, são classificados como renda variável, no grupo dos fundos imobiliários. É a mesma lógica que se aplicaria se o fundo estivesse listado na Bolsa.

Papel dos Fundos Cetipados em uma estratégia de investimento

Os Fundos Cetipados entram como uma peça da carteira, não como a carteira inteira.

Antes de considerá-los, o primeiro passo continua sendo montar a reserva de emergência em ativos líquidos. Só depois disso faz sentido avançar para produtos mais sofisticados.

Pelo perfil de suitability, a Sacre entende que esse tipo de fundo pede, no mínimo, um perfil conservador com um passo a mais de risco, já que estamos falando de crédito privado. Isso exige a assinatura de um termo específico, reconhecendo as características da classe de ativo antes de investir.

Como a liquidez é mais restrita do que a de um fundo listado, o horizonte recomendado é de pelo menos 12 meses. É tempo suficiente para o ativo “performar” na carteira e evitar sair no prejuízo, caso surja a necessidade de resgatar antes do prazo.

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Como começar a investir em Fundos Cetipados sem errar?

O primeiro passo é ter conta aberta no BTG Pactual com assessoria da Sacre. É por meio do assessor que a negociação acontece, já que os Fundos Cetipados não estão disponíveis no home broker.

A partir daí, o processo passa por entender o objetivo, seja renda mensal, diversificação ou isenção fiscal, confirmar que a reserva de emergência já está formada e assinar o termo de ciência sobre a classe de ativo.

O assessor também ajuda a definir qual percentual da carteira faz sentido alocar. Vale sempre considerar que não é recomendável entrar em fundos cetipados com dinheiro que pode ser precisado a curto prazo.

Gestão de risco aqui significa, sobretudo, respeitar o horizonte de tempo recomendado e não concentrar o patrimônio inteiro numa única classe de ativo.

Fundos Cetipados com Assessoria Sacre

A mesa de renda variável da Sacre, liderada por Gustavo De Gasperi, avalia cada nova oferta de fundo cetipado antes de levá-la aos clientes, buscando ativos que façam sentido para a base da casa.

Quando um cliente da Sacre precisa vender uma posição, a equipe também tenta priorizar a negociação dentro da própria base de clientes antes de recorrer ao mercado mais amplo do BTG. Isso ajuda a agilizar a liquidez.

Se você já tem conta no BTG Pactual mas ainda não é atendido pela Sacre, vale considerar trazer o portfólio para cá. Assim, os assessores conseguem comunicar sobre novas ofertas e ofertas públicas de fundos cetipados assim que elas surgem.

Conclusão

Os Fundos Cetipados resolvem um problema real: permitir uma estratégia de renda mensal, isenta de Imposto de Renda em boa parte dos casos, sem expor o investidor à volatilidade diária da Bolsa.

Em troca, pedem paciência. A liquidez é mais reduzida, e o produto funciona melhor com um horizonte de médio a longo prazo.

Como em qualquer investimento, os percentuais de rentabilidade mencionados durante a gravação do episódio são exemplos pontuais e não representam promessa de rentabilidade futura. As condições de mercado mudam, e vale sempre confirmar as taxas e ofertas disponíveis no momento com um assessor da Sacre antes de investir.

Se você ainda tem dúvidas sobre o produto, fale com o time de renda variável da Sacre. Avalie se os Fundos Cetipados fazem sentido para o seu perfil e para os seus objetivos.

Foto de Angelo Miloch

Angelo Miloch

Jornalista com mais de 10 anos de experiência em produção de conteúdo. Analista de Comunicação na Sacre Investimentos.

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